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Capítulos iniciais

O farol na tormenta

Prólogo

Ilha de Torren,

na tempestade 2.262.


Será que sonhei apenas? Daqueles sonhos em que acreditamos ter despertado, mas ainda estamos presos à inconsciência? Não teria passado de uma ilusão do meu cérebro cansado e do corpo solitário e angustiado? Mas o gosto dela ainda está em minha boca e sinto o frio de sua pele, ouço os dentes tilintarem. Ela era tão real quanto o sol, que iluminava a vila aos meus pés, embora tão efêmera quanto um sonho pode ser.

A tempestade de ontem foi daquelas violentas, com raios e trovões cortando a escuridão entre a chuva grossa. O vento soprava furioso nas janelas da casa e fazia tremular perigosamente o sinal do farol. Protegi o fogo da melhor forma que pude, mas sua luz bruxuleava mais do que iluminava. Estava concentrado em fazer o meu trabalho, em lutar contra a força irracional da natureza que nos atingiu, enquanto o portal estivesse aberto.

Ouvi, então, uma batida na porta, lá embaixo. Quem, ao invés de aproveitar a tempestade, teria vindo até aqui? Corri para abrir, pensando que devia ser Svand, com alguma bebida para aquecer a minha noite de vigília.

Mas diante da porta estava uma jovem mulher. Seus longos cabelos negros estavam colados ao corpo, coberto apenas por um vestido branco e fino. Os braços a envolviam na tentativa de se aquecer e proteger contra o frio congelante da tempestade. Ergueu os olhos apavorados para mim e sua boca abriu em súplica urgente:

— Me ajude!

Saí, por um instante, do estupor em que me encontrava, de alguma forma inconsciente, mergulhado no azul profundo de seus olhos. Estendi a mão para o braço e a toquei, pensando ainda que se tratasse de alguma visão. Mas o gelo da roupa molhada garantia que eu não estava delirando. Ela tremia, encharcada, de lábios arroxeados, encolhida entre os braços finos.

— Me ajude, por favor — repetiu, olhando para trás, pela estrada estreita que trazia até aqui. A voz tinha algo de desespero e medo profundos.

Trouxe-a para dentro e fechei a porta. No chão, aos seus pés, uma poça d’água se formava, escorrida do corpo, da roupa e dos cabelos. Eu estava como um pobre coitado, alucinado por fantasmas, sem entender o que ela fazia no farol.

— Vou buscar uma toalha para você.

A moça não disse nada, ainda tremia e escondia os seios, que seriam visíveis debaixo do linho fino e transparente. Mas concordou com a cabeça, creio que foi um agradecimento.

Quando retornei, ela estava perto do fogo e estendia as mãos para se aquecer. Entreguei-lhe a toalha e ela se pôs a secar os cabelos, fazendo pressão entre o pano, com uma calma que contrastava de tudo que fizera antes.

— Trouxe um cobertor também — ofereci, assim que ela terminou de secar-se como pôde.

— Obrigada — respondeu, passando a lã ao redor do corpo úmido.

— O que você faz aqui? — perguntei, enfim recobrando algum senso.

— Eu me perdi na tempestade — falou, olhando o fogo.

— Nunca te vi na vila… 

— Nem eu jamais a tinha visto. Que lugar é este?

— Aqui? — Olhei ao redor. — O farol da Ilha de Torren.

Percebi que ela estranhou a informação e cerrou as sobrancelhas, com um leve estremecimento no corpo. Entendi de onde ela era. Ou melhor, de onde não era. Não era uma de nós, estava fora de seu lugar e eu devia mandá-la de volta. Mas então ela ergueu os olhos para mim e balbuciou algumas palavras que não entendi, pois me perdi novamente no oceano azul diante de mim e só retornei quando ela piscou, quebrando o vínculo que me ligava àqueles olhos.

— Posso ficar aqui até a tempestade acalmar? 

— Pode — respondi como um tolo, oferecendo assento. Ela escolheu o tapete na frente do fogo. Ainda sentia frio. — Aceita algo para beber?

— Sim, algo quente, se possível.

Servi um chá e ela agradeceu. Sorriu-me, então, pela primeira vez, de forma leve e casual.

— Neirin. — Estendi-lhe a mão, me apresentando. 

A mulher a segurou e voltou os olhos para a xícara, concentrando-se em resfriar o líquido, assoprando. Passei a observá-la, discretamente. Estava sentada com as pernas cruzadas, os cabelos úmidos caíam sobre os ombros e dividiam-se em duas partes. Era bonita, jovem, de traços finos e tez muito clara, e seus olhos brilhavam como um farol de luz fria.

— Preciso verificar o óleo, senão o fogo apaga. — Apontei para cima, na direção da candeia do farol.

Ela concordou com a cabeça e subi, então, para o meu trabalho. A chama tremulava ainda e a aumentei. Estava concentrado nisso quando ouvi sua voz:

— Você é um faroleiro. — Era uma constatação, mais do que uma pergunta. — Não se vê nada daqui.

— Nas noites de tempestade, não. Mas somos vistos e é isso que importa.

— Para que lado fica a cidade?

— Para lá. — Apontei e ela foi naquela direção. Creio que tentava identificar algum ponto de referência. Mas não havia. Para onde olhasse, só se via a escuridão e a chuva.

Subitamente, ela cobriu o rosto e chorou. Um lamento baixo, mas que fazia sacudir todo o corpo. Senti pena e, inseguro, ofereci o meu peito para que encontrasse algum conforto. Ela abriu os braços e me apertou com força, tão entregue e desesperada. 

Acariciei os cabelos. Eram grossos e ainda úmidos, revoltados pela chuva e pela falta de um pente que os desembaraçasse. Ela foi se acalmando, respirando com menos força, até restarem apenas os suspiros. Afastei seu rosto, sequei as lágrimas e sorri, com a luz do farol iluminando o rosto bonito.

— Obrigada — falou, sem se afastar. Trouxe as mãos até meu rosto e me puxou na direção de sua boca, ainda salgada pelas lágrimas. 

Eu a desejei e a tive ali, no chão de pedra, sobre o cobertor que ela trazia nos ombros. Passeei por seu corpo e ela pelo meu, até estarmos saciados, e depois repetimos, sem outra palavra. Ela se deitou, ao final, com a cabeça apoiada no meu braço.

Alisava o meu peito, num carinho suave, percorrendo o caminho marcado entre o meu pescoço e o diafragma. Uma sonolência forte me embalou, ao som da cantiga que ela entoava baixinho:


Dorme esta noite, meu pequeno amor.

Adormece e segue o luar

Que há de te guiar 

Até o sol voltar a brilhar.


O frio do vento sul que entrava pelas frestas arrepiou o meu corpo e acordei. A moça não estava mais nos meus braços. Estava sozinho no farol e o óleo estava apagado. Por sorte, o temporal já havia passado, ou muitos não teriam retornado.

Desci as escadas e procurei por ela. Não encontrei em lugar algum. Sumiu, assim como surgiu, sem sequer me dizer seu nome.

Capítulo I

Ilha de Torren, ano de 2024.


Nia respirou fundo o cheiro de maresia e sal que tanto gostava. O vento lançava os fios de cabelo contra o rosto, impedindo que enxergasse a cidade à sua frente. Prendeu os cabelos negros e longos em um coque, enrolando os fios ao redor deles mesmos, com um nó. 

Segurou as alças de sua mala e atravessou o trapiche longo e de madeira clara, na direção do único hotel da ilha. Uma esteira de palha mostrava o caminho, impedindo os pés dos hóspedes de mergulharem na areia grossa e amarela. Não que ela se importasse, gostava da sensação massageadora da areia morna entre os dedos.

O hotel era antigo, uma construção de três andares e pequenas janelas, coberto com telhas já marcadas por musgos e líquen. Mas o quarto era aconchegante e uma banheira de louça a convidou para um banho. Após dois dias no mar, Nia jamais recusaria. 

O vento gemia nas persianas e o sol, que até então aquecia a ilha, escondeu-se atrás das nuvens. Ainda assim, Nia pensou que era uma boa opção sair para caminhar e conhecer as redondezas do hotel, quase como uma necessidade. Escolheu uma roupa confortável, uma calça jeans e blusa de meia manga. A temperatura do começo de outono ainda estava abafada. Colocou algum dinheiro no bolso e saiu do quarto. O telefone não adiantava levar, pois aquele lugar remoto do mundo não tinha sinal de telefonia móvel.

O vento havia aumentado e ela via as pessoas caminharem encolhidas e apressadas, protegendo-se da areia, mas nunca temeu a ventania, gostava de sentir o temporal se aproximando, com o cheiro morno que agitava todo seu corpo e dava vontade de andar sempre em frente.

Já estava longe do hotel quando encontrou uma rua de comércios variados, voltados para o turismo da ilha. Eram pequenas construções de madeira, todas iguais, de um andar apenas, pintadas de branco e com telhados vermelhos. Uma loja de artigos de praia oferecia guarda-sóis, cadeiras, boias coloridas, chapéus de palha. A outra vendia souvenires com imagens do local, mapas e cartões telefônicos.

No final da rua, uma placa pendurada na varanda de uma loja chamou sua atenção. Artigos esotéricos. Passado, presente, futuro. 

Passado era algo que a interessava, mais do que o futuro. O mensageiro dos ventos pendurado ao lado da porta balançava freneticamente, fazendo soar as conchas penduradas nas cordas. Nia empurrou a porta e o cheiro de incenso entrou por suas narinas, fazendo-as coçar e a moça espirrar. Detestava incenso, por causa de sua alergia. 

— Bem-vinda!

A recepção animada a fez desistir de sair. Passeou entre as prateleiras, observando os enfeites expostos, enquanto coçava o nariz aflito pelo cheiro que sentia. Por detrás do balcão, a mulher a observava.

— O que você procura? 

— Ahm… nada específico. A placa me chamou atenção. É você que lê o passado?

— Se é o que você busca… — Ela sorriu levemente.

— Tenho poucas informações sobre ele. — Nia ergueu os ombros.

Caminhava pelo pequeno espaço, deixando os dedos deslizarem pelas prateleiras, pensativa. Talvez fosse ilusão começar sua busca por meios paranormais, mas nunca duvidou de nada. Qualquer pista já seria melhor do que as que ela tinha, até então. Chegou diante do balcão e analisou a mulher. Vestia-se com uma roupa colorida, usava várias pulseiras e a maquiagem destacava o contorno dos olhos. Devia ter uns cinquenta anos, Nia imaginou, pelas poucas linhas de expressão e o semblante pacífico. O cabelo castanho não apresentava mais do que alguns fios prateados.

— Que cheiro é esse? — perguntou, segurando a vontade de espirrar, sem sucesso.

— Jasmim. Ele abre os caminhos.

— No caso, ele fecha o meu nariz. — Sorriu, sentindo que mal respirava por ali.

— Posso lhe oferecer um remédio para esse mal, mas a causa deve ser mais profunda do que imagina.

— Tudo bem, tenho antialérgico e spray nasal no hotel. Estou mais interessada no passado.

— Então, vamos desvendá-lo. 

A mulher levantou e trancou a porta da loja, puxando as cortinas da vitrine, para dar privacidade. Atravessaram uma cortina de conchas e um pequeno cômodo surgiu, com uma mesa circular e baixa coberta por uma toalha vermelha, com duas almofadas, e cheio de desenhos, cristais e mandalas nas paredes. 

Um pote redondo de pedra, entalhado com símbolos que Nia desconhecia, estava sobre a mesa e a mulher arrumou os cristais ao seu redor, depositou um de cada cor nos quatro lados. Dentro do incensário havia pétalas de rosas e ali ela colocou um palito de incenso, acendeu e a fumaça fina e perfumada voltou a irritar o nariz de Nia. O aroma forte da artemísia tomou a sala.

— Me chamo Carmela, e você? — perguntou, enquanto acomodava-se sobre a almofada e espalhava as saias ao seu redor.

— Nia.

— Muito bem, e o que busca no passado, Nia? — perguntou, embaralhando as cartas.

— Tudo que puder encontrar.

Carmela murmurou uma prece enquanto embaralhava as cartas, repetindo o nome de Nia. Pediu que ela cortasse o baralho em três montes, embaralhou novamente e distribuiu as cartas sobre a mesa. Observou o resultado em silêncio, com expressão séria e atenta.

— Seu passado está coberto por muita névoa. Vejo uma viagem, amor e separação.

— Sim, eu sei.

— Depois, temos o presente. Busca, morte, outra viagem, mas para perto. — Ela apontou para as cartas, enquanto as interpretava.

— Isso também já sei.

— O futuro é curioso. — Carmela espremeu as sobrancelhas. — Vejo novos relacionamentos, escolhas difíceis, caminhos fechados. Seu futuro diz mais do que o passado. Posso ver a sua mão?

Nia estendeu a palma aberta na direção de Carmela e ela observou as linhas, passando o dedo sobre elas, suavemente.

— Tem uma mistura aqui, uma bifurcação de duas realidades, que andam paralelas, como dois destinos. — Carmela olhou curiosa para Nia. — Você já esteve aqui antes?

— Há muitos anos.

— E ficará por outros tantos. — Ela voltou a observar as cartas. — Você é um de nós.

Um de nós, Nia repetiu mentalmente. Se desprezo fosse o ponto em comum, então talvez ela estivesse certa. Estava ali por um motivo muito específico e retornaria assim que resolvesse a questão. Mas apenas fechou o rosto ao responder.

— Não pretendo. Tenho alguns dias para encontrar o que procuro.

— E vai encontrar. — Carmela sorriu, embaralhando as cartas. — Mas nem sempre é o que buscamos.

Nia fez silêncio, pensativa. O vento assobiava forte na janela, o mensageiro dos ventos nem cantava mais, todo enrolado em si mesmo, e a placa da loja rangia uma cantiga áspera de engrenagens secas.

— Preciso fechar a loja e você deve seguir seu caminho — Carmela falou.

— Sim, vou voltar ao hotel antes que isso piore mais.

— Talvez. — A cartomante duvidou misteriosa. — Bom retorno, Nia.

Carmela abriu a porta e o vento trouxe a areia da praia até ali. As dunas estavam mexidas, transformadas em poeira e o céu estava escuro. Nia agradeceu a leitura, embora não tivesse lhe dito nada do que não soubesse ou que interessasse. Mesmo assim, ofereceu-se para pagar e foi recusada. Saiu, envolvida pelo vento morno, e precisou fechar os olhos, pois a areia doía em sua pele. Ergueu os braços tentando proteger o rosto, e seguiu pela estrada de pedras na direção em que imaginava ficar o hotel.

Era difícil enxergar naquela situação, embora ela se sentisse surpreendentemente viva e cheia de vigor. A areia pinicava e ameaçava entrar em seus olhos, açoitada pelo vento, que agitava os cabelos em um redemoinho, e também atrapalhava seu senso de direção. Mas a vontade de Nia era de andar, aproveitando a energia que sentia vibrar no corpo. Era apenas a consciência do perigo que a limitava.

Sem qualquer aviso, a chuva torrencial caiu, escurecendo o dia que já terminava. Nia apenas andou para a frente, sem saber onde encontrar abrigo, pois as casas haviam terminado e ela não via sinal de viva alma por ali, ou de proteção. 

A luz forte no meio da chuva chamou sua atenção. Parecia um ponto alto, como uma estrela solitária e quente na tempestade que se formou. Sentiu esperança de que encontraria abrigo lá e uma vontade irresistível de ir naquela direção, mas não fazia ideia de como chegaria até o topo. A cidade havia se transformado em uma floresta escura, de árvores altas e vegetação fechada. O temporal de vento e chuva continuava, e ela ainda buscava um lugar para se proteger. Debaixo das árvores não era seguro, então procurou algo sólido, mas que não atraísse raios. 

Ouviu os berros de vozes masculinas alteradas. Seu instinto de sobrevivência gritava para fugir, mas para onde? Decidiu que era melhor se esconder do que pedir ajuda a estranhos no meio do mato escuro. Estava encharcada e gelada, mas aquela tempestade não duraria para sempre, logo poderia voltar para a cidade e para o seu hotel aquecido.

O contorno de uma ponte foi sua salvação. Um rio raso e pedregoso passava por baixo, mas havia espaço seco sobre as pedras. Seria um bom esconderijo. Tremia de frio, com os músculos doendo, e as roupas ensopadas coladas ao corpo. Debaixo da ponte, ventava menos. 

Muitas pessoas passaram sobre aquela ponte. Ouviu vozes masculinas e femininas — e até risos exagerados, como se estivessem bêbados. Tentou entender para onde iam, mas o nevoeiro e as sombras da ponte impediam qualquer visibilidade. Os passos sumiam na escuridão. Resolveu, por fim, esperar que tudo terminasse. A tensão era tanta que os olhos pesaram. Lutou contra o sono, mas ele venceu sem pedir licença.

Acordou com o estampido de um tiro.

O sol nascia e a chuva havia parado. Sobre o arco da ponte em que se escondia, ela ouviu passos e vozes. Era uma correria, com gritos confusos, e outro tiro soou, fazendo Nia assustar-se. Ficou encolhida ali, abraçada às pernas, até perceber que as vozes haviam se afastado o suficiente. Então, decidiu sair de seu desconfortável esconderijo e voltar para o hotel.

A roupa ainda estava úmida em seu corpo e o vento frio piorava a sensação que tinha. Começou a caminhar pela estradinha estreita que encontrou na margem do rio. Não lembrava o percurso que fizera na tempestade, havia perdido o senso de direção e, de onde estava, não enxergava nada além do curso do rio e as árvores. Decidiu que caminharia para o lado oposto ao das pessoas que ouvira antes, para bem longe dos tiros. O trilho no chão adentrava a floresta, mas ela imaginou que levaria a algum lugar, afinal. 

E tinha razão. Logo as árvores terminaram e uma casa de pedras apareceu. Nia seguiu naquela direção e uma pequena vila surgiu. Todas as casas eram térreas, erguidas com pedras grandes e acinzentadas, com vigas de madeira aparente e telhado de capim. As janelas eram arredondadas em cima e tudo tinha um aspecto bucólico e antigo, com flores debaixo das janelas.

O rio continuava ali, mais profundo e vigoroso, fazendo a divisa entre a rua de casas e o imenso paredão de pedra, coberto por uma vegetação de trepadeiras verdes, que ela via mais adiante. Acompanhou com os olhos até encontrar o topo, muitos metros acima. Lembrava uma muralha, firme e imponente, atrás da qual os primeiros raios do sol surgiam para iluminar o dia.

Era cedo e todas as casas estavam fechadas. Decidiu atravessar a outra ponte de pedras que havia sobre o rio e seguir para o alto, de onde imaginou que teria uma visão ampla da ilha e poderia se guiar. O caminho de terra era íngreme e os pés deslizavam dentro do tênis úmido. Não via a hora de trocar aquela roupa e o estômago estava grudado nas costas, de fome.

Antes de chegar ao topo do morro, Nia seguiu pela bifurcação à direita e encontrou um pequeno trailer apoiado sobre pedras, aparentemente parado há muito tempo. Parecia abandonado, mas ela ainda esperava encontrar alguém que a ajudasse. Bateu na porta duas vezes, sem resposta. Ao contornar o trailer para espiar pela janela, tropeçou em algo e perdeu o equilíbrio.

Segurou-se no que pôde, para não rolar morro abaixo. Quando ergueu os olhos, segurava uma canela humana, e os olhos parados e fixos em si a fizeram gritar. Um grito estridente, que fez os pássaros se agitarem e a vila acordar.


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