SIMPLESMENTE MÃE

EUGÊNIA CÂMARA

M – muito

A – amor

E – envolvido

 

Alguns anos atrás, quando meus filhos eram crianças, fui convidada para a célebre festinha do dia das mães, com direito a cartão personalizado, desenhos, flores e musiquinhas cantadas pelos filhos, depois de exaustivos ensaios.

 Algumas mães começaram a chorar assim que viram seus filhos, outras não paravam de sorrir, outras filmavam tudo sem querer perder nenhum instante da apresentação de sua cria. Nesse momento percebi que não estava copiando o movimento das outras progenitoras.

Ato continuo pensei: “será que sou uma mãe ET porque não estou manifestando a minha felicidade e contentamento de forma ostensiva? Ou será que meu instinto materno fugiu de mim e eu não sei? Tenho que falar sobre isso na minha próxima sessão de terapia.”

Rapidamente esqueço o que estava pensando porque a turminha começa a cantar uma canção para as mães. Evidentemente que orquestrado pela professora, chamada de tia pelos pequenos, e muitas vezes ouvindo-se apenas sua voz, pois esqueciam de trechos da música mesmo tendo repetido muitas e muitas vezes.

Terminada a apresentação, as crianças pegaram seus cartões e suas flores e entregaram para as suas mães. Como tenho dois filhos, ganhei tudo em duplicidade. – Padeci duas vezes no paraíso!

Para fechar com chave de ouro esse momento “sublime”, a escolinha pediu que escrevêssemos, em poucas palavras, o significado de ser mãe.

Deram uma folha e uma caneta para cada mãe. Fiquei parada olhando a folha em branco e pensando o que escreveria. Não lembro quanto tempo fiquei paralisada, mas lembro de olhar para os lados e ver as mulheres escrevendo avidamente o que sentiam ou o que a maternidade significava para elas.

Novamente me senti uma alienígena por não estar transcrevendo o óbvio ou o não óbvio da maternidade. Me recriminei novamente, mas imediatamente lembrei do momento em que busquei no laboratório meu exame de sangue tendo o resultado positivo da minha primeira gravidez.

Nesse momento meus sentimentos pareciam uma sopa de letrinhas sem conseguir formar palavra nenhuma. Assim fiquei por algum tempo, até perceber que minha barriga começou a crescer e as roupas teimavam em não fechar na cintura.  No dia que senti um movimento estranho dentro do meu corpo, compreendi, pela primeira vez o sentido da vida.

A partir desse momento era responsável por alguém. Percebi que tinha que proteger minha cria e, foi então que passei a acariciar minha barriga como se eu mesma estivesse me amando. E estava mesmo.

Quando minha filha nasceu e olhei para ela pela primeira vez, não conseguia acreditar que aquela bolinha rosadinha berrando tinha saído de dentro de mim. Como podia aquela criaturinha estar dentro de mim? Mistérios da natureza...

Com o meu filho, os sentimentos e sensações não foram diferentes, mas existia um diferencial: ele recebia, além do meu carinho, o afago de duas mãozinhas gordinhas e pequeninhas de sua irmã. Sem falar das conversas que ela tinha com ele enquanto estava se formando em meu ventre.

Quando ele nasceu minha responsabilidade dobrou e ao olhar para aquele serzinho tão inocente e indefeso, só pedia a Deus que me desse força, saúde e, principalmente, que me deixasse viver o suficiente para criá-los.

O tempo passou, eles agora estão adultos, criados e educados. Se me perguntarem o que escrevi naquela folha responderei: não lembro. Mas se hoje me fizessem essa pergunta, diria:

- Ser mãe é muito mais do que apenas uma folha de papel, é muito mais que fotografias ou filmagens, é muito mais que comemoração do dia das mães. Na verdade, ser mãe é ser AMOR. Simplesmente isso.